Relatório de execução: Workshop Kilombos e I Feira do Empreendedorismo Etnico Quilombola

Workshop Kilombos: O Audiovisual e a Identidade Quilombola

Realização de ACONERUQ e ASSOCIAÇÃO DO QUILOMBO VILA FÉ ME DEUS
Patrocínio Cultural do VALE e apoio do Governo do Estado do MA ( SEDES e SETRES)  e do Instituto Marquês Valle Flôr ( Portugal).
São Luís, 22 de Novembro de 2012.
Foto: ACONERUQ/ Maria José ( Coordenadora da ACONERUQ) Ana Edthe ( Representante da VALE)
Consulte o Programa do Workshop aqui.

Apresentação

Este relatório visa sistematizar as atividades  desenvolvidas durante Workshop Kilombos: O Audiovisual e a Identidade Quilombola. Que aconteceu em São Luís  nos  dias 21 e 22 de novembro por ACONERUQ , com patrocínio cultural da VALE a apoio do Governo do Estado do MA ( SEDES e SETRES)  e do Instituto Marquês Valle Flôr ( Portugal).

Participaram aproximadamente 350 pessoas dentre estas 250 quilombolas, representantes dos Governos Municipais, Estaduais e Federal e ainda,entidadese pesquisadores (as) , conforme programação e lista de presença do evento.
O objetivo do evento é promover a sensibilização da sociedade maranhense, gestores públicos, pesquisadores, sobre a contribuição da cultura quilombola para diversidade cultural e preservação dos territórios etinicos. Numa abordagem, que promova o fortalecimento da identidade quilombola através do empoderamento com acesso a ações que incentivem e fortaleçam o empreendedorismo etinico sustentavél. Superando a dificuldade que encontra-se nas comunidades de reprodução de sua cultura como algo que possiblite a sustentabilidade socio-econômica. Pretende-se disseminar a arte cultural do quilombo como parte de uma política pública eficiente de desenvolvimento econômico.
O Workshop proporcionou ainda, a comemoração da ASSOCIAÇÃO DAS COMUNIDADES QUILOMBOLAS DO MARANHÃO, entidade dos quilombolas que tem como principal missão institucional LUTAR PELA TITULAÇÃO DOS TERRITÓRIOS QUILOBOLAS.
Foram dois dias, onde os quilombolas e seus convidados realizaram:
  • 1- Seminário  Diálogos Interculturais e Politicas Públicas de Inclusão  Cultural e Geração de  Renda;
  • 2- II Quilombinho- aperfeiçoamento e aprendizado de dança e percussão para crianças quilombolas;
  • 3- I Feira do Empreendedorismo Étnico Quilombola;
  • 4- Oficinas Praticas ( Grafitt , Trançados e Peteados Afro-Quilombola );
  • 5- Lançamento do DVD Didático Aspetos da Cultura Quilombola, Filme Kilombos ;
  • 6- Lançamento do Site www.quilomboscontemporaneos.org
  • 7- Lançamneto do selo Negro Cosme ( Correios do MA );
  • 8- Atividades Culturais – Tambor de Crioula e Toque de Caixa com as Caxeiras ( Severina  e Marinilse ) do Quilombo Santa Rosa – Itapecuru –Mirim .
Seguindo será descrito o resumo das atividades desenvolvidas no Workshop Kilombos.
DIÁLOGOS INTERCULTURAIS /O AUDIOVISUAL E A IDENTIDADE CULTURAL QUILOMBOLA

1º PAINEL: Identidade e Resistência Quilombola no Maranhão

Coordenador: Reinaldo Avelar – Militante do Movimento Negro Quilombola

Objetivo: Promover o resgate do processo de criação do Movimento Negro no Maranhão e sua contribuição para  surgimento, da organização das comunidades quilombolas e para o  fortalecimento da identidade quilombola.
Expositores:
Raimundo Mauricio Paixão – Centro de Cultura Negra do Maranhão – CCN
Maria Raimunda Araújo – Historiadora/Pesquisadora e Militante do Mov. Negro no Brasil.
Francisco Carlos – Quilombola da Comunidade Centro do Expedito – Codó-MA
Ana Emilia M. Santos – Quilombola da Comunidade Matões dos Moreiras – Codó-MA

Mauricio Paixão, Centro de Cultura Negra do Maranhão: Relatou o processo de articulação para a criação da ACONERUQ. Onde  vários diálogos foram construídos, quando da execução do Projeto Vida de Negro (Centro de Cultura Negra e Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos). O PVN , como é chamado o Projeto Vida de Negro é do final da década de 60 e inicio da década de 70 facilitou. Seus resultados são considerados até os dias de hoje fonte de pesquisas e para conhecer o “Quilombo Contemporâneo”, pois nesse período possibilitou de forma pioneira no Brasil,  um dialogo com as comunidades quilombolas principalmente aquelas mais distantes como Jamary dos Pretos no município Turiaçu. Através deste dialogo, pode-se estabelecer métodos de trabalho conjunto com a finalidade de rompimento com a situação de exclusão e abandono em que se encontravam a grande maioria dos quilombos do Maranhão e do Brasil.

Através do PVN, o Maranhão tornou-se um dos estados, com mais conhecimento sobre organização e luta quilombola, sendo referência nacional para formulação de Leis e Decretos que hoje norteiam as Politica Públicas que conhecemos. Citou ainda,  que no processo de articulação sobre  para a fundação da ACONERUQ, varias entidade foram fundamentais, entre elas a Sociedade de Direitos Humanos, com assessorias jurídicas e também com  a realização dos encontros de comunidades negras que facilitou o debate sobre as questões quilombolas. Nesses espaços de diálogos que foram criados, pode-se, construir o art.68 do ADTC da Constituição Federal do Brasil de 1988, que reconhece  pela primeira vez Direitos aos Quilombolas.

O Sr. Mauricio, enfatiza que houveram avanços na luta por Direitos, mas várias questões fundamentais ainda  muito longe de ser alcançadas , políticas como a Regularização e Titulação dos Territórios quilombolas são questões que precisam urgentemente serem resolvidas pelo Governo. A titulação dos territórios requer prioridade, tendo vista as constantes ameaças de perda de territórios que as comunidades sofrem, porém, outros desafios estão colocado como a efetivação de políticas publicas  fundamentais como saúde, educação, acesso a energia elétrica eficaz, incentivo, credito e assistência técnica a projetos  de geração de trabalho e renda.

Fernando Fialho, Secretario de Estado de Desenvolvimento Social- SEDES: Apresentou as ações desenvolvidas e planejadas via  SEDES em  comunidades quilombolas no Maranhão. Citou :  1- A  Caravana  Quilombola, com emissão de  DAP – Declaração de Aptidão ao Pronaf ( todo trabalhador e trabalhadora rural, deve possuir este documento, necessário para acesso a Politicas Públicas de Crédito e investimento); 2- Setor criado no âmbito estrutural da SEDES que trata exclusivamente de Politicas Públicas para Povos Tradicionais, a frente deste setor estão as senhoras Mary Domingas e Claudia Neta; 3- Estabelecimento de parcerias, com diversos setores da sociedade , principalmente com a ACONERUQ, para formulação, discussão e execução de ações que visem desenvolver melhor a vida na comunidade quilombola.

Francisco Carlos, Quilombola da Comunidade Centro do Expedito: Faz reverencias a memória de Ivan Costa e Magno Cruz – ambos militantes do Movimento Negro Quilombola. “Qualquer relato que se faça não podemos esquecer essas duas pessoas, sabemos de muitos guerreiros de muitos lutadores em nossas comunidades mais precisamos destacar a importância que os dois tiverem tanto no processo de discussão do movimento

Entrizou o processo de constituição da organização quilombola através da ACONERUQ, citou fatos importantes de auto-definição nas comunidades :

  1. A autoestima do povo quilombola, lembra que “antes não conhecíamos as questões relacionadas com o nosso povo, quando passamos a participar de vários encontros de comunidades é que passamos a conhecer e até hoje ainda não conhecemos com profundidade”.
  2. Ressalta a importância do trabalho desenvolvido por entidades parcerias como o CCN, na luta quilombola por Direitos para comunidades quilombolas. A ACONERUQ surge em um momento em que precisávamos tem uma entidade que pudesse e possa articular ações para o povo quilombola, estive em três coordenações da ACONERUQ, hoje estou apenas como militante e contribuindo com o nosso povo, entendo que questão como educação, saúde, geração de renda são fatores que ainda precisamos percorrer sem esquecer que a titulação dos Territórios Quilombolasé o grande objetivo instituição, precisamos ainda pensar estratégia no sentido de garantir a permanência dos jovens na sua comunidade e com isso manter a sua identidade”.

Maria Raimunda Araújo, Historiadora: Ressalta a efetivação de uma Politica Pública que garanta ao povo negro quilombola educação digna. Durante sua fala fortalece a discussão de temas pertinentes a:

1- Identidade Quilombola » Segundo a pesquisadora,trabalhar a identidade, já dentro de casa é exatamente resgatar valores e costumes, a aceitação de si, as nossas característicase tradição dos nossos antepassados. IDENTIDADE – É assumir sua história e suas tradições, busca de quem somos e para onde vamos.

2- Resistência » Diz que : “Quilombo também é uma forma de resistência, era também habitação de negros fugidos”. Resgata a importância de Zumbi dos Palmares, que lutou pelo maior quilombo do Brasil e lembrou outros Lideres como Ganga Zumba e Negro Cosme, que lutou pela Educação no quilombo de Lagoa Amarela. Ainda segundo a Pesquisadora: Não se pode ir a lugar nenhum sem educação e a comunidade precisa de uma educação de qualidade. As discussões sobre cotas, já priorizam essa discussão de qualidade, mas para chegar a faculdade nossas crianças e jovens negros , precisam ter uma educação infantil e básica, também com qualidade.

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2º PAINEL: Políticas públicas e outras iniciativas de valorização da Cultura Quilombola / Empreendedorismo Étnico

Coordenador: Francisco Carlos- Quilombola de Centro do Expedito – Codó -MA
Objetivo: Promover a troca de conhecimentos a cerca das Politicas Públicas que visam o desenvolvimento local em comunidades tradicionais com ênfase no empreendedorismo étnico cultural.

Expositores:
André Lobão – SEBRAE
Glenda Ribeiro – Secretaria de Estado da Igualdade Racial.
Francisco José Cisne – CONAB, MA
Maria do Socorro Guterres – Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, SECOMT

André Lobão, SEBRAE: Discorreu sobre os programas e projetos que o SEBRAE dispõem no MA, e que podem ser acessados por comunidades quilombolas:

Empreendedorismo: É o termo utilizado para qualificar, ou especificar principalmente aquele individuo que detém uma forma especial, inovadora  de se dedicar as atividades, de  organização, de administração e execução principalmente na geração de riqueza na transformação de conhecimento. O expositor fala sobre empreendedorismo e os desafios no processo da inserção produtiva.

Economia criativa onde estão inseridas as Comunidades: Economia do saber cultural fala das mudanças do setor cultural  com a evolução global ou seja a globalização hoje há um interesse maior e o expositor chama a atenção para de todos,  tenha a preocupação para não perde a essência desse fazer cultural das comunidades.

Glenda Ribeiro, Secretária de Estado da Igualdade Racial: A Gestora, expos sobre a missão da secretária em prol do Fortalecimento da Politica Pública da Igualdade Racial no maranhão. E ainda sobre as diversas ações desenvolvidas pela secretária em parcerias estabelecidas com gestores públicos, empresas e entidades que atuam em prol do desenvolvimento em nosso estado. Como exemplo citou a Associação de Trancistas, fruto de uma parceria com o SEBRAE.

Francisco José Cisne, CONAB – MA: Apresentou o Programa de Aquisição de Alimentos  P A A,   ressaltou  que  o objetivo do PAA é garantir o acesso aos alimentos em quantidade, qualidade e regularidade necessárias às populações em situação de insegurança alimentar e nutricional e promover a inclusão social no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar. Os alimentos adquiridos pelo Programa são destinados às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional, atendidas por programas sociais locais e demais cidadãos em situação de risco alimentar, como indígenas, quilombolas, acampados da reforma agrária e atingidos por barragens. O Programa adquire alimentos, com isenção de licitação, por preços de referência que não podem ser superiores nem inferiores aos praticados nos mercados regionais, até o limite de R$ 3.500,00 ao ano por agricultor familiar que se enquadre no PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), salienta ainda a grande dificuldade encontrada para incluir as comunidades Quilombolas no programa viste que o povo quilombola tem prioridade no acesso ao mesmo.

Maria do Socorro Guterres, Secretaria de Politicas de Promoção da Igualdade Racial / SECOMT: Discorre a respeito do  programa Brasil Quilombola criado em 2004, regulamentado pelo decreto 6261/2007. Desde 2003, com a criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, o Governo Federal fundamenta os princípios da política que orientam a sua ação para as comunidades quilombolas, dando-lhe maior objetividade na busca de superação dos entraves jurídicos, orçamentários e operacionais, que impediam a plena realização dos seus objetivos, coordenação das ações governamentais – articulações transversais, setoriais e interinstitucionais – para as comunidades remanescentes de quilombos, com ênfase na participação da sociedade civil, o Programa é coordenado pela SEPPIR, por meio da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais (SubCom), e tem suas ações executadas por 23 órgãos da administração pública federal, além de empresas e organizações sociais.

O Programa também estabelece interlocução permanente com os entes federativos e as representações dos órgãos federais nos estados, a exemplo do INCRA, IBAMA, Delegacias Regionais do Trabalho, FUNASA, entre outros, no intuito de descentralizar e agilizar as respostas do Governo para as comunidades remanescentes de quilombos. Os governos municipais têm, neste contexto, uma função singular por se responsabilizarem, em última instância, pela execução da política em cada localidade.

As considerações sobre a territorialidade das comunidades tradicionais, o seu reconhecimento pela ordem jurídico-institucional vigente e sua inserção nos planos públicos de ordenação e fomento do desenvolvimento regional, além da forma peculiar como esses grupos mantém e ressignificam sua base identitaria balizaram o estabelecimento das seguintes ações.

  • ACESSO A TERRA
  • INFRA-ESTRUTURAR E QUALIDADE DE VIDA
  • DESENVOLVIMENTO LOCAL E INCLUSÃO PRODUTIVA: 9,3 mil famílias atendidas por chamadas de ater no Brasil sem miséria.
  • HABITAÇÃO – inclusão de 58 comunidades no programa minha casa minha vida.
  • Direito a cidadania: saúde da família 1.536 equipes de saúde bucal nas comunidades
  • PNAE – Incentivo para a alimentação Escolar, 2011 houve um repasse de 25 milhões para escolas quilombolas
  • GESTÃO FEDERATIVA  DO PBQ –  Implantação dos Comitês  Estaduais.

A expositora finaliza colocando da dificuldade e desafios para implantação dos comitês Estaduais e Faz- se necessário que os governos Estaduais e Municipais acessem o programa, observa  que o programa ainda não conseguiu alcançar todos os objetivos, algumas questões ainda precisam ser resolvidas como o cadastro de projetos no SINCONV , considera que o programa é complexo assim dificultado o acesso aos programas governamentais. Por fim solicita que os quilombolas possam informa o numero de comunidades e famílias que ainda não tem energia elétrica para que possam ser incluídos no Programa Luz para Todos.


Intervenções da Plenária:

  • Sr. Henoc Matos -Comunidade Quilombola Santo Inácio-Pedro do Rosário /MA: Solicita que seja construído um Sistema de Abastecimento de Água na comunidade, pois a comunidade tem dificuldade de acesso a agua até mesmo para o consumo.
  • Sr. Raimundo Aldo da Comunidade Quilombola Santana dos Petos em Pinheiro informa que a Comunidade de são Roque em Pinheiro não tem Luz energia elétrica assim como água potável.

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3º Painel – Fortalecimento da Cultura Quilombola com as mulheres / Diálogos Interculturais  e a Valorização da  identidade e resistência


Coordenadora – Gardênia Aires – Pesquisadora UEMA/Nova Cartografia Social da Amazônia
Expositoras:
Cintia Martins, Doutora em Políticas Públicas, Pesquisadora do Projeto Nova Cartografia  Social da Amazônia;Teresa TRabulsi, Cientista Social / Mestranda em Políticas Píblicas (UFMA);
Ana Amélia Mafra, Fundação Cultural Palmares

CintiaMartins – Doutora em Políticas Públicas, Pesquisadora do Projeto Nova Cartografia  Social da Amazônia: A pesquisadora apresenta os resultados obtida até o momento e  com o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia e como estes influenciam as discussões sobre Politicas Públicas. A pesquisa usa como instrumento gráficos e mapas , que são construídos por povos tradicionais , em espaços de diálogos e autoconhecimento , inclusive de suas tradições e histórias de vida. Ainda em sua fala Cyntia, enfatiza a importância dessa ação para o fortalecimento da cultura,  valores étnicos e o desafio e preservar as tradições nos quilombos. Segundo a pesquisadora , ainda é um desafio realizar essa conexão de conhecimento nas universidades e o projeto vem buscando sempre esse espaço.

Diálogos interculturais observados entre quilombolas brasileiros(as), guineenses e cabo-verdeano.

:: Pesquisa de Verônica Maria da Silva Gomes-  Doutoranda em Ecologia Humana e Educação Ambiental pela Universidade de Brasília (UnB) e Pesquisadora para o projeto “O Percurso dos Quilombos: de África para o Brasil e o retorno às origens”
:: Apresentação no Workshop por Tereza Trabuzi–Cientista Social / Mestranda em Políticas Publica (UFMA)

Este breve relato está inserido no âmbito do Projeto “O Percurso dos Quilombos: de África para o Brasil e o retorno às origens” que foi realizado nos anos de 2010 a 2012, com apoio da União Européia, e executado em parceria pela ACONERUQ e o Instituto Marques de Valle Flor, de Portugal. Onde os quilombolas tiveram a oportunidade de difundir sua cultura para sociedades africanas, valorizando a diferença e, ao mesmo tempo, conhecendo e respeitando a pluralidade e a diversidade cultural, sem perder o foco do respeito aos direitos humanos, individuais e coletivos, sempre a partir da visibilidade das várias manifestações culturais das comunidades quilombolas em interação com as expressões culturais guineenses e cabo-verdeanas.

A observação de tais expressões culturais só foi possível graças à viagem ao continente africano, mais especificamente aos países lusófonos Guiné Bissau e Cabo Verde, ocorrida de 17 de novembro a 2 de dezembro de 2010 que reuniu uma comitiva brasileira, uma guineense e outra cabo-verdeana em trânsito pelos dois países. Da comitiva brasileira participaram: 21 quilombolas, esta pesquisadora (Verônica Gomes), a oficial de projetos no Maranhão (Valderlene Silva), e mais 02 colaboradores pesquisadores (Teresa Trabulsi e Juvenal Álvaro)além do ex-adido cultural do Brasil em Cabo Verde, Dr. Carlos Moura, que também participou do processo de pacificação da Guiné Bissau de 2006 a 2008 o qual muito colaborou durante a viagem no âmbito das relações internacionais.

Uma das principais motivações da viagem residiu no anseio que os quilombolas tinham de conhecer suas origens e de poder encontrar seus irmãos e irmãs mais próximos de seus antepassados africanos que foram escravizados no Brasil-colônia, além de terem a oportunidade de voltar ao seu local de morada (Maranhão/Brasil) e contar aos que aqui ficaram o que conheceram e (re)conheceram além-mar. Outro importante objetivo da viagem foi a difusão da cultura quilombola e da visibilização, além das fronteiras brasileiras, da realidade política da luta quilombola pelo direito aos seus territórios.

Os quilombolas fizeram apresentações culturais em espaços urbanos como praças públicas, palcos erigidos na praia, bilbioteca pública, centros culturais, nos dois países nos quais puderam partilhar sua cultura com diferentes camadas da sociedade. Todas as apresentações culturais realizadas pelos quilombolas buscaram contribuir para o desenvolvimento da tolerância a expressões culturais diversas e ao fortalecimento do respeito à alteridade.

Recebidos como velhos parentes que estavam de volta à casa, os quilombolas estabeleceram um verdadeiro diálogo intercultural com seus irmãos e irmãs africanos numa intensa troca simbólica de vida. Algumas vezes esse diálogo foi permeado por marcadas diferenças e muitas outras vezes pela semelhança identificada nos saberes, nos sabores, e nos fazeres.

Os quilombolas também tiveram a oportunidade de encontrar em seus pares africanos os rostos de seus filhos e filhas, netos(as), pais, mães e avós. Além de poderem conhecer as ricas culturas das várias etnias que encontraram em Cacheu, Bulolo, e Bissau em Guiné Bissau e Praia, Cidade Velha, São Domingos em Cabo Verde. Ali tiveram a oportunidade de partilhar histórias, emoções, gestos, compreensões, aproximações e, também diferenças. Os quilombolas, em certa medida, vivenciaram um intenso sentido de pertencimento, constatado em seus próprios pronunciamentos durante a viagem e em eventos posteriores nos quais puderam compartilhar essa experiência, quer seja nas suas e nas demais comunidades quilombolas, quer nos eventos correlacionados ao projeto.

Ana Amélia Mafra, Fundação Cultural Palmares: A Sra. Ana Amélia- apresentou os trabalhos e ações desenvolvidos pela Fundação Cultural Palmares no MA, colocou-se a disposição dos quilombolas sempre na luta por melhores condições de vida e ainda as funções que desempenha como Gestora Pública.


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Seguindo a programação do Workshop realizou-se :

  • Roda de Conversa de apresentação do Filme Kilombos e do DVD Aspectos da Cultura Quilombola – Valderlene Silva – Coordenadora técnica no MA do projeto o Percurso dos Quilombos/Pesquisadora.
  • Lançamento do site – www.quilombosconteporaneos.orgO site é um dos métodos escolhidos pelos quilombolas, para assegurar uma sinergia dinâmica ente as comunidades quilombolas no Maranhão , no Brasil e até fora do país. Dessa forma os (as) quilombolas podem ter sua ações divulgadas e ainda podem consultar o que acontece em outras comunidades e ainda com entidades parceiras e ainda promoverá através do envio pelos quilombolas de vídeos e fotos que o mundo conheça a cultura quilombola, fortalecendo assim, o legado cultural que há no quilombo.
  • Lançamento do Selo Negro Cosme – Diretoria Regional dos Correios Dr. José de Lima Brandão / Vice Governadoria Nonato Chocolate
  • Tambor de Crioula
  • Homenagem da ACONERUQ a Mulheres Negras Quilombolas que contribuíram e contribuem para a luta quilombola.

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Oficinas Praticas do Workshop Kilombos :

Trançado e Peteados Afro Quilombola: Objetivo: Fomentar, a cultura quilombola, o jeito de fazer algo, as referências com a ancestralidade, como uma forma de geração de renda e dinamismo comunitário. Esta Oficina visa, motivar vontades, empreender soluções, mostrar que o estado possuem nos povos tradicionais em especial nos quilombos , grande fonte de desenvolvimento étnico cultural. É também objetivo desta ação , promover intercâmbio e fortalecimento, entre os (as) próprios (as) quilombolas acerca da beleza negra e auto-estima.

Grafiti: Sob a coordenação técnica de Edi Bruzaca, a atividade, encantou as crianças e jovens quilombolas, ao verem uma arte, que tem o poder de dialogar com o mundo. Perceberão que o dialogo pode ser feito de várias  formas. E que nessa luta por direitos o importante é sempre ter conhecimento para saber argumentar. Os jovens quilombolas buscam por alternativas, não gostam tanto quanto seus pais de reunião, seminário… instrumentos comuns de repasse de informações usado por mov. Sócias. Mas esses jovens tem sim algo a dizer, tem expressões e a ACONERUQ e seus parceiros buscam inserir os jovens quilombolas na luta por direitos e o Grafit é visto como uma forma de comunicação através da arte.

II Quilombinho: Oficina de Percussão com Crianças Quilombolas: Crianças quilombolas aprendem, pintam e bordam no workshop, sobre a coordenação do mestre Zumbi Bahia do Oficina Afro, o quilombinho foi um dos momentos ricos do evento as crianças puderam sentir a importância do toque dos tambores o sentido da atividade foi mostrar as crianças a importância que o toque dos tambores exerceu e exerce nas comunidades quilombolas quer seja no sentido das manifestações ou no sentido da comunicação, esta atividade teve a participação de 25 crianças com idade entre 5 a 12 anos.

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I Feira do Empreendedorismo Etnico Quilombola

A Feira do Empreendedorismo Étnico, proporcionou um espaço de discussão sobre uma ação conjunta que possibilite uma política pública eficiente de geração de renda nos quilombos. A comercialização de produtos oriundos da agricultura família e da arte feita nas comunidades é um dos temas atuais da ACONERUQ e seus parceiros. A ACONERUQ anunciou que em 2013 dará inicio, a um projeto que possibilitará o fomento da discussão mais aprofundada no estado e no Brasil sobre uma politica de geração de renda no quilombo. Este projeto é em parceria com o Instituto Marques Valle Flor com financiamento da União Européia e ainda parceiros locais a identificar. Os quilombolas fazem o chamado aos gestores do nosso estado sobre esse importante assunto e a Feira é um instrumento importante nessa luta.

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Valderlene R. Silva, Responsável Técnica do Projeto

Raimunda Muniz, Presidente da Associação da Vila Fé em Deus

Maria José Palhano, Coordenadora Geral da ACONERUQ

AGRADECIMENTOS

A todos e todas que estiveram presente ao Workshop, que ajudaram nos preparativos e e ainda os amigos e amigas da ACONERUQ, que sempre estão prontos a colaborar.

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