A valorização da Cultura como fonte de rendimento para a comunidade

11 Quilombos do Maranhão criam espectáculo cultural

Tendo como objectivo central contribuir para o diálogo intercultural através da protecção, valorização e difusão da cultura Quilombola no mundo lusófono, o projecto apoia as comunidades do Estado do Maranhão na preservação e valorização da sua herança cultural.

Ensaios da exibição cultural no Quilombo de Santa Rosa. Momentos de partilha e reforço da identidade cultural Quilombola.

Ensaios da exibição cultural no Quilombo de Santa Rosa. Momentos de partilha e reforço da identidade cultural Quilombola.

No sentido de fazer da promoção da sua cultura uma fonte de rendimento para a comunidade, o IMVF, em estreita parceria com a ACONERUQ, desafiou 20 elementos de 11 Quilombos do Estado do Maranhão , a criar em conjunto um espectáculo que apresentasse algumas das principais manifestações culturais Quilombolas.

A selecção das manifestações culturais foi da responsabilidade do grupo, tendo sido escolhida a representação do Tambor de Mina, do Festejo do Divino Espírito Santo e, por último, do Tambor de Crioula. A exibição cultural não passa apenas pelo ensaio das danças e dos tambores, mas sobretudo pela reflexão do que é ser Quilombola.

Os encontros promoveram, acima de tudo, a reflexão sobre a cultura Quilombola e o reforço da sua identidade, aproximando as comunidades através do diálogo e da partilha.

Os encontros promoveram, acima de tudo, a reflexão sobre a cultura Quilombola e o reforço da sua identidade, aproximando as comunidades através do diálogo e da partilha.

Os encontros, dinamizados pela ACONERUQ, enfatizaram a importância do desenvolvimento étnico-cultural nas comunidades Quilombolas bem como a importância das raízes africanas na sua matriz cultural. Como preparação para o intercâmbio em África, realizado em Novembro de 2010, foi igualmente dada informação sobre o continente africano, em especial sobre os dois países que iriam visitar – Cabo Verde e Guiné-Bissau.

A promoção destes ‘encontros interculturais’, que reuniram membros de 11 Quilombos maranhenses, permitiu ainda que cada Quilombo partilhasse com os restantes elementos particulares da sua identidade. Esta troca e reflexão conjunta aproximou as comunidades que ficaram a conhecer melhor a sua cultura – que os une e os distingue no seio da sociedade brasileira. Contudo, a experiência de partilha e diálogo não se limitou aos 20 membros que participaram na exibição, estendeu-se a toda a comunidade que se preparava para receber os encontros, criando-se verdadeiros laços de solidariedade. A hospedagem era nas casas das famílias, a alimentação era adquirida na comunidade e confeccionada por uma família escolhida no Quilombo.

Para os ensaios da exibição cultural os Quilombolas contaram com o apoio de três voluntários com experiência na área da produção artística, cultura e história – um director/produtor cultural (Álvaro Santos Filho), uma investigadora da cultura de matriz africana (Teresa Trabulsi) e um historiador e cineasta (Ribamar Nascimento). As actividades de preparação da exibição cultural foram bastante intensas entre Março e Outubro de 2010, mês em que fizeram a primeira exibição pública, em São Luís.

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