Diálogos Interculturais

Um olhar sobre as raízes africanas nas Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Maranhão, Brasil

Valorizar e dar a conhecer a cultura Quilombola, sobretudo no contexto lusófono, foi o mote para um trabalho intensivo de pesquisa realizado no Brasil, Guiné-Bissau e Cabo Verde. Com vista à promoção, valorização e difusão da cultura Quilombola e das suas raízes, investigadores sociais dos três países foram desafiados a resgatar pedaços da história que no passado uniu estes territórios e ainda hoje os aproxima.

O resultado é agora apresentado na colectânea Diálogos Interculturais: Um olhar sobre as raízes africanas nas Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Maranhão, Brasil que representa uma ponte entre culturas, entre continentes, entre povos … uma ponte para a História. Divido em três capítulos, este estudo pretende dar a conhecer as principais manifestações culturais do quotidiano Quilombola, das tabancas da Guiné-Bissau e do interior da ilha de Santiago e compreender a sua importância para a construção das actuais sociedades e identidades.

Testemunhos inéditos que revelam curiosidades do interior das florestas da Guiné-Bissau ou mesmo das comunidades Quilombolas mais isoladas. Saberes, fazeres, sabores que foram recolhidos numa tentativa de retrato de três povos que apesar das distâncias estão ainda bastante próximos.

Numa perspetiva histórica, Quilombos contemporâneos no Brasil: terra, resistência, cultura e fé, desfia o início das Comunidades Quilombolas desde os primeiros navios que desembarcaram em São Luís do Maranhão no século XVII, às lutas pelo Direito à propriedade da terra que ainda hoje travam. O Ser Quilombola, as suas músicas, danças, crenças, a sua força associativa, o sustento da Comunidade – sempre em constante relação com as suas raízes africanas.

Por seu turno, Cacheu Caminho de Escravos, trabalho de pesquisa desenvolvido na Guiné-Bissau, recorda a importância da região no Norte da Guiné-Bissau na época da escravatura. Também num resgate histórico a equipa de pesquisa da Guiné-Bissau identifica a etnia Manjaca como uma das etnias da região que mais terá sofrido com a escravatura, reconhecendo-a assim como uma das etnias mais próximas da realidade Quilombola.

Finalmente, As ilhas de Cabo Verde na Rota dos Quilombos realça a importância do arquipélago enquanto entreposto nas rotas portuguesas na epopeia dos Descobrimentos. Ribeira Grande, berço da nação cabo-verdiana, assume-se assim como o ponto de passagem obrigatória dos navios de tráfico negreiro. Enquanto ponto de passagem e de comércio, Cabo Verde absorveu, ao longo dos anos, culturas e costumes do continente Africano mas gerou, igualmente, novas manifestações culturais que passariam mais tarde para o continente Americano pela mão dos africanos escravizados que seguiam viajem rumo às grandes fazendas Brasileiras.

Versão completa, Diálogos interculturais: Um olhar sobre as raízes africanas nas Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Maranhão, Brasil

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