Identidade Quilombola sobe ao palco

Seja a dançar para as suas comunidades ou para representantes políticos na capital do seu país, os quilombolas viram na dança e na música a oportunidade de chegar mais longe e afirmarem a sua diversidade cultural e as suas raízes.

O reforço da valorização da Cultura Quilombola enquanto fonte de rendimento para as comunidades começou já a dar os seus frutos. A par da exibição cultural criada no âmbito do projecto, as diferentes comunidades foram abraçando novos desafios e organizam-se agora para fazerem apresentações culturais fora da sua comunidade. À excepção da comunidade de Santa Rosa dos Pretos, as restantes comunidades não tinham por hábito realizar exibições culturais fora do seu Quilombo. Contudo, com o fortalecimento das várias associações comunitárias, rapidamente perceberam as mais-valias e potencialidades da realização destes espectáculos para públicos mais alargados.

Destacamos aqui alguns momentos culturais nos quais A força dos Tambores Quilombolas é protagonista …

Veja folheto de apresentação do espectáculo aqui . E espreite aqui e aqui o registo de alguns ensaios destas comunidades.

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Semana Cultural Quilombola :: Brasília :: Maio de 2011

Realizou-se em entre 3 e 6 de Maio de 2011, em Brasília, uma semana cultural Quilombola com o objetivo de trazer à capital e a um público mais alargado, a importância do regaste e valorização desta cultura e a promoção do diálogo intercultural. Esta atividade foi concretizada com o apoio da ACONERUQ, da equipa do projeto em Brasília e da Universidade estatal.

Assim, decorreu no auditório do Memorial Darcy Ribeiro na Universidade de Brasília, a abertura oficial do evento “A força dos tambores Quilombolas”. Na mesa de abertura estiveram presentes: Daniel Pereira, Embaixador de Cabo Verde no Brasil; Nelson Fernando Inocência, Professor e coordenador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab/UnB) em representação do reitor da Universidade; António Ferreira, coordenador geral da diversidade, em representação da Secretaria da Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade do Ministério da Educação (SECAD/MEC); Glória Moura, coordenadora do projeto no Brasil e Maria José Palhano, coordenadora geral da ACONERUQ.

Seguiu-se um momento de conversa no qual 8 quilombolas (em representação do grupo maior) partilhou com o público a experiência da viagem à Guiné-Bissau e Cabo Verde. Com apoio da projeção de fotografias, os quilombolas partilharam os principais elementos que consideram que aproximam e mais distinguem as 3 culturas. Deram especial ênfase à alegria, calor humano e capacidade de resistência e resiliência africanas. Referiram as diferenças no uso do pilão que, ainda que seja utilizado para o mesmo efeito que nas suas comunidades, na Guiné-Bissau, apenas as mulheres o usam; o respeito pelos mais velhos; as formas de trabalho em cooperativas que puderam conhecer em Cacheu e ainda a frequente falta de energia na região de Bissau e Cacheu, as diferenças sociais e os conflitos políticos.

O primeiro dia de atividades foi encerrado com a apresentação de um tambor de crioula pelos quilombolas que contagiou os 200 participantes do evento, entre eles estudantes, professores, representantes governamentais, militantes do movimento negro. Ativistas culturais, produtores e jornalistas. A festa seguiu depois para os jardins do Memorial onde os tambozeiros, cantores e coureiras interagiram com funcionários, estudantes e professores da universidade.

No dia seguinte, após uma visita guiada pela cidade de Brasília, foram promovidas três oficinas temáticas: (i): ‘Reafirmando raízes quilombolas: relatos de experiência em Guiné-Bissau e Cabo Verde’; (ii): ‘A importância das redes na articulação e mobilização social – enfoque para a luta quilombola’ e (iii): ‘Danças afro-brasileiras’.

No último dia de atividades em Brasília os quilombolas fizeram uma última apresentação cultural na área exterior do Memorial Darcy Ribeiro que contou também com a participação do grupo de dança Morabesa, composto por estudantes cabo-verdianos no Brasil.

Repercussão nos media

A ida dos Quilombolas a Brasília marcou forte presença nos media nacionais:

Na rádio » alguns quilombolas e a coordenadora do projeto foram entrevistados pela Rádio Nacional AM – programa Espaço Arte; Rádio DF – programa Arte e Cultura e pela Rádio Nacional da Amazônia;

Na televisão » os quilombolas participaram numa gravação para o programa ‘Paratodos’, apresentado pelo jornalista Big Richard, da TV Brasil. O programa versou, sobretudo, sobre a viagem dos à Guiné-Bissau e Cabo Verde e sobre as principais manifestações culturais quilombolas. Gravaram ainda, para o programa, uma apresentação de Tambor de Crioula e de Mina. O programa foi emitido na TV Brasil em Junho de 2011;

Na imprensa escrita » O jornal ‘Correio Braziliense’ jornal de maior tiragem no distrito federal, publicou, na sua edição de 06/05/2011, uma breve nota do evento na seção ‘Diversão e Arte;

Na internet » o evento ‘A força dos tambores Quilombolas’ foi divulgado e referido  em vários blogs e sites:

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Outros espectáculos Quilombolas

Quem: Associação dos Produtores Rurais Quilombolas
Quilombo: Santa Rosa dos Pretos
Manifestação Cultural: Divino Espírito Santo
Onde: Argentina
Quando: De 24 a 26 de Fevereiro de 2011.
Notas: A deslocação é feita a convite do Ministério da Cultura do Brasil.

Quem: Associação dos Moradores Remanescentes do Quilombo de Santo António
Quilombo: Sítio do Meio
Onde: Município de Santa Rita
Quando: De 9 a 13 de Maio de 2011
Notas: A apresentação é feita a convite do Perfeito do Município de Santa Rita.

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A cultura Quilombola em exibição em Cabo Verde  :: Novembro de 2010

Pomenor da celebração do Tambor de Mina. Cidade da Praia, Cabo-Verde. Novembro de 2010.

Pomenor da celebração do Tambor de Mina. Cidade da Praia, Cabo-Verde. Novembro de 2010.

Em Cabo Verde, depois de uma partilha intensa com o povo guineense, os Quilombolas puderam conhecer melhor a cultura e tradições do arquipélago.

Também aos cabo-verdianos deram a conhecer a sua cultura com duas apresentações na cidade da Praia – no Auditório da Biblioteca Nacional e no largo do Plateau (zona histórica da cidade). À semelhança da Guiné-Bissau, também na cidade da Praia a dança contagiou os espectadores que terminaram em palco, a dançar com os Quilombolas.

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A cultura Quilombola em exibição na Guiné-Bissau  :: Novembro de 2010

O regresso às origens concretizou-se numa viagem de quinze dias ao continente Africano, num verdadeiro intercâmbio cultural.

Quilombolas sobem ao palco em Cacheu e partilham com mais de 3000 pessoas três das principais manifestações culturais do Quilombo.

Quilombolas sobem ao palco em Cacheu e partilham com mais de 3000 pessoas três das principais manifestações culturais do Quilombo.

Na sua visita ao país os Quilombolas realizaram duas apresentações da exibição cultural. Uma em Cacheu, no Norte do país e outra na capital, Bissau. Ansiosos por partilhar algumas das suas principais manifestações culturais, os Quilombolas aqueceram os seus tambores e subiram ao palco do Festival de Cacheu, um mês depois da sua primeira exibição pública. Assim, ao início da noite, tendo como pano de fundo o Rio Cacheu, os 20 Quilombolas apresentaram o seu espectáculo para mais de 700 pessoas que rapidamente foram contagiadas pelo som dos tambores e pela dança. Foram vários os guineenses que se juntaram aos Quilombolas no final do espectáculo dançando ao som do Tambor de Crioula.

Em Bissau, no Centro Cultural Brasileiro, os Quilombolas voltaram a dançar, cantar e encantar os presentes.

Em Bissau, no Centro Cultural Brasileiro, os Quilombolas voltaram a dançar, cantar e encantar os presentes.

No dia seguinte, dia 24 de Novembro, em Bissau, os Quilombolas fizeram nova apresentação cultural no Centro Cultural Brasileiro sendo recebidos pelo Embaixador do Brasil no país e pelo Ministro da Educação Nacional, Cultura, Ciência, Juventude e Desporto. Assistiram ao espectáculo cerca de 120 pessoas que puderam conhecer um pouco melhor a História e Cultura Quilombola através de uma exposição organizada pela Embaixada do Brasil sobre Quilombos

Veja aqui o registo em vídeo da exibição cultural quilombola em Cacheu e na cidade de Bissau.

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A Força dos Tambores Quilombolas :: São Luís, Maranhão :: Outubro de 2010

No dia 22 de Outubro de 2010, ‘A força dos Tambores Quilombolas’ subiu ao palco nos jardins do Convento das Mercês em São Luís. Com muita dança, música e cor, os Quilombolas celebram num espectáculo de cerca de 1h30, uma viagem de regresso às origens africanas misturando os costumes do quotidiano das comunidades.

Tudo começa com o aquecer dos tambores. Como num ritual, dá-se início ao primeiro acto - chamado “Tambor de Mina” - onde é feito o culto aos encantados ou invisíveis. Segue-se o “Festejo do Divino Espírito Santo”, abençoando todos os seus devotos ao som das caixeiras. “Tambor de Crioula”, dança vibrante e circular, é o acto final, em que as mulheres cantam e dançam expressando liberdade com o seu bailado que segue o ritmo do tambor.

A apresentação do espectáculo em São Luís contou com a presença de cerca de 400 espectadores entre eles, representantes da Secretaria de Estado da Igualdade Racial, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agrário, da Secretaria de Estado da Educação, do Centro de Cultura Negra do Maranhão, da Universidade Federal do Maranhão, da Associação em Áreas de Assentamento do Estado do Maranhão, do Movimento dos Sem Terra e de alunos do Programa Nacional de Educação em Reforma Agrária (um programa do Ministério do Desenvolvimento Agrário que visa a formação superior em pedagogia de jovens que actuam em escolas de comunidades rurais, incluindo os Quilombos).

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