Valorização e divulgação da cultura Quilombola … o regresso às origens

Num verdadeiro regresso às origens, a 18 de Novembro de 2010 um grupo de Quilombolas partiu do Estado do Maranhão rumo ao continente Africano. Guiné-Bissau e Cabo Verde foram os dois países Lusófonos escolhidos como palco para um intercâmbio cultural único. Durante duas semanas os Quilombolas conheceram de perto os costumes e tradições dos dois países e puderam partilhar e dar também a conhecer traços particulares da sua cultura.

Num regresso, bastante emotivo, aos países de onde partiram e passaram muitos dos escravos levados pelos colonos portugueses para o Mundo Novo, os Quilombolas, guineenses e cabo-verdianos, recordaram a história e valorizaram as suas conquistas e a reconstrução das suas sociedades. Das lutas de há mais de 400 anos às lutas do quotidiano, os Quilombolas partilharam a sua história de resistência dando a conhecer, além-fronteiras, a realidade política da luta Quilombola pelos seus Direitos, ainda hoje, sobejamente, desrespeitados.

‘(…) Recebidos como reis e rainhas, como velhos parentes que estavam de volta a casa, os Quilombolas estabeleceram um verdadeiro diálogo intercultural com seus irmãos e irmãs africanos numa intensa troca simbólica de vida. Algumas vezes esse diálogo foi permeado por marcadas diferenças e muitas outras vezes pela semelhança identificada nos saberes, nos sabores e nos fazeres. (…)’

Verónica Gomes, equipa do projeto, Brasil

Antecedendo às comemorações de 2011, do Ano Internacional de descendência africana (instituído pelas Nações Unidas), esta partilha permitiu a todos – Quilombolas brasileiros, guineenses e cabo-verdianos – um novo olhar sobre um passado doloroso de escravatura e repressão. Permitiu a todos conhecer novas cultura e assim, aprender um pouco mais sobre si próprios. Das tabancas no interior da Guiné-Bissau à cidade da Praia em Cabo Verde, todos relembraram as suas raízes e se redescobriram.

‘(…) Ali tiveram a oportunidade de partilhar histórias, emoções, gestos, compreensões, aproximações e também diferenças. Os Quilombolas, em certa medida, vivenciaram um intenso sentido de pertencimento (…) Os pontos históricos dos lugares visitados, a culinária, os cantos, as danças, as estéticas africanas, as crenças, a hospitalidade africana, os problemas estruturais da organização política causaram grande impacto nos corações e nas vidas dos Quilombolas que tiveram que olhar a África de perto para compreender mas de si mesmos. (…)’

Verónica Gomes, equipa do projeto, Brasil

Dos 21 Quilombolas que atravessaram o Atlântico, os testemunhos passaram de boca em boca nas comunidades no Brasil. As fotografias, os filmes, os relatos na primeira pessoa fizeram com que, a pouco e pouco, todos se sentissem mais próximos das suas raízes africanas e reforçassem o respeito pelas suas tradições de matriz afro-brasileira. Também do outro lado do Atlântico, centenas de guineenses e cabo-verdianos partilharam de forma emotiva, durante duas semanas, as suas danças, músicas, gastronomia – a sua cultura.

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Espreite ainda, o Festival de Cacheu, um pequeno filme retrata aquela que foi uma semana de partilha cultural intensa entre quilombolas, guineenses e cabo-verdianos. Espelha a riqueza cultural da Guiné-Bissau e o carinho com que foram recebidos estes descentes de escravos africanos.

Veja os testemunhos de Ciro Ramos, Emília Moreira e Chico Carlos, três dos Quilombolas que participaram neste intercâmbio cultural bem como os testemunhos da equipa de pesquisa da Guiné-Bissau e o registo fotográfico desta aventura.

Sugerimos ainda o registo do trabalho de pesquisa realizado na Guiné-Bissau, recordando a importância da região de Cacheu, no Norte do país, na época da escravatura e domínio português que apoiou não só a elaboração do trabalho de pesquisa Diálogos Interculturais como a realização do intercâmbio cultural em Novembro de 2010. Filmagem e edição: TV Klélé para AD, parceiro do IMVF.

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