A importância do trabalho de pesquisa na Guiné-Bissau na primeira pessoa …

Em 2010, o projeto O Percurso dos Quilombos: de África para o Brasil e o regresso às origens promoveu o resgate das tradições e cultura africana na Guiné-Bissau, Cabo Verde e nas Comunidades Remanescentes de Quilombos do Estado do Maranhão, no Brasil.

Por razões históricas, a pesquisa na Guiné-Bissau centrou-se na região de Cacheu, no Norte do País, onde se diz ter existido um importante porto português na época das grandes rotas de tráfico negreiro. Após muitas horas de trabalho de campo e de resgate de testemunhos inéditos dos mais velhos das tabancas junto ao Rio Cacheu, a equipa da DAUCAM – organização responsável por este regaste da cultura e tradições Guineenses – afirma a importância deste trabalho para o reforço da sua identidade e da sociedade guineense em geral.

Inaida Felisberta Vieira Sano
Investigadora da DAUCAM / GB
:: Cidade de Bissau, Guiné-Bissau ::

Pergunta (P): O que teve para ti mais valor neste trabalho de pesquisa?
Inaida (I): Aprender mais sobre o tráfico negreiro que eu considero como desumanização do continente negro Africano e sobre os valores culturais das duas etnias que sofreu com a história de escravatura na Cacheu.
P: Qual a principal curiosidade que aprendeste com este trabalho?
I: Dançar e cantar como manjacos.
P: Achas que esta pesquisa é importante para a construção da sociedade guineense?
I: Claro que a pesquisa é muito importante para mim, como estudante e para nós Guineenses. A sua importância tem a ver com o resgate da história de tráfico negreiro e de algumas etnias que sofreram bastante com a escravatura na Guiné-Bissau, como é o caso concreto dos Manjacos e Felupes, para que as gerações vindouras possam usufruir da mesma.
P: De que forma o resgate da história da escravatura pode ser importante para o reforço da sociedade guineense?
I: Para além da escassez dos livros e documentos escritos nas Biblioteca nacionais, que faz tornar difícil o trabalho, acho este processo muito importante para o reforço da sociedade Guineense, na busca da informação.
P: O que foi, na tua opinião, para os guineenses esta visita dos Quilombolas e o que representou para a equipa da pesquisa fazer este trabalho?
I: Para os Guineenses foi um reencontro de Irmãos, em especial para nós pesquisadores. Também reforçou os laços de harmonia entre a comunidade Quilombola e o povo guineense que conheceu uma nova realidade comunitária.

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Aida Lopes Correia
:: Vila de Caio, Região de Cacheu, Guiné-Bissau::
Investigadora da DAUCAM / GB

P: O que teve para ti mais valor neste trabalho de pesquisa?
Aida (A): Como Manjaco, a promoção da identidade cultural da minha etnia. Desde as canções, à dança ou à sua gastronomia. Também o ponto mais marcante para mim durante o trabalho foi a solidariedade da equipa, o carinho e a atenção, porque, na altura, eu estava grávida e toda gente queria saber de mim. Obrigada gente!
P: Qual a principal curiosidade que aprendeste com este trabalho?
A: Trabalho da equipa e Canções Brasileira que me marcaram bastante, como: “Aie éh ah, tambor di Quilombola é assim”
P: Achas que esta pesquisa é importante para a construção da sociedade guineense?
A: Exatamente, para a sociedade Guineenses mas também para a cultura Manjaca, para que a geração vindoura possa saber que a primeira riqueza humana é a sua identidade.
P: De que forma o resgate da história da escravatura pode ser importante para o reforço da sociedade guineense?
A: Com o difícil acesso a documentos nas bibliotecas, foram emprestados livros nas comunidades, o trabalho valeu a pena, este nosso passo ficará para sempre na história colorida para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.
P: O que foi, na tua opinião, para os guineenses esta visita dos Quilombolas à Guiné-Bissau e o que representou para a equipa da pesquisa fazer este trabalho?
A: Este encontro para nós guineenses representou a unificação para desenvolvimento da humanidade.


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Youtchendi da Silva
Investigadora da DAUCAM / GB
:: Cidade de Bissau, Guiné-Bissau ::

P: O que teve para ti mais valor neste trabalho de pesquisa?
Youtchendi (Y): Como Jovem e estudante é um reforço de capacidades para mim, desde a metodologia e à relação social durante a pesquisa que era muito difícil para mim, agora superei estas dificuldades.
P: Qual a principal curiosidade que aprendeste com este trabalho?
Y: Fazer entrevistas, e participar num trabalho da equipa e multicultural.
P: Achas que esta pesquisa é importante para a construção da sociedade guineense?
Y: Sim, sobretudo para nós jovens, em termos assumido um trabalho tão magna (importante) deste género.
P:De que forma o resgate da história da escravatura pode ser importante para o reforço da sociedade guineense?
Y: Através das metodologias aplicadas sobre as entrevistas diretas, e estudo bibliográficos, esperamos que este trabalho servira para sempre.
P: O que foi, na tua opinião, para os guineenses esta visita dos Quilombolas à Guiné-Bissau e o que representou para a equipa da pesquisa fazer este trabalho?
Este encontro para mim, é a consolidação da família negreira que foi separada há séculos e séculos.

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Cambraima Alanso Cassama
:: Cidade de Bissau, Guiné-Bissau ::
Coordenador da Pesquisa :: DAUCAM / GB

P: O que teve para ti mais valor neste trabalho de pesquisa?
Cambraima (C): Para mim, realço saber mais sobre o tráfico negreiro e das técnicas e saberes da Cultura Manjaca.
P: Qual a principal curiosidade que aprendeste com este trabalho?
C: Cumprimentar em língua manjaca, fazer as entrevistas nos locais sagrados e comunicar com os sacerdotes.
P: Achas que esta pesquisa é importante para a construção da sociedade guineense?
C: A pesquisa é muito importante para nós, como estudantes e investigadores juniores e para a sociedade Guineense, pois o resgate e preservação da nossa identidade Cultural (Escravatura, tradição cultural Manjaca e Felupe) permite que gerações vindouras possam usufruir da mesma.
P: De que forma o resgate da história da escravatura pode ser importante para o reforço da sociedade guineense?
C: Através de métodos participativos aplicados, durante o trabalho no terreno até na compilação, entrevistas e observação direta. Espero que o trabalho servirá para sempre, para o reforço da nossa sociedade.
P: O que foi, na tua opinião, para os guineenses esta visita dos Quilombolas à Guiné-Bissau e o que representou para a equipa da pesquisa fazer este trabalho?
C: Para os Guineenses é um reencontro de irmãos, que foram levados há séculos e séculos e voltaram a África para um reencontro de reforço da harmonia.

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Dauda Dabôv
Investigadora da DAUCAM / GB
:: Cidade de Bissau, Guiné-Bissau ::

P: O que teve para ti mais valor neste trabalho de pesquisa?

Dauda (D): Como Jornalista e estudante de comunicação social é um reforço de capacidades sobre as metodologias sabiamente aplicadas para obter os resultados e trabalho de equipa participativo muito enriquecedor e motivador.
P: Qual a principal curiosidade que aprendeste com este trabalho?
D: Motivação comunitária.
P: Achas que esta pesquisa é importante para a construção da sociedade guineense?
D: Exatamente, este trabalho vai ocupar um espaço de ouro na preservação da nossa identidade cultural.
P: De que forma o resgate da história da escravatura pode ser importante para o reforço da sociedade guineense?
D: Através das metodologias aplicadas, desde os estudos bibliográficos, entrevistas estruturadas e trabalho participativo, o resultado do trabalho é muito aliciante.
P: O que foi, na tua opinião, para os guineenses esta visita dos Quilombolas à Guiné-Bissau e o que representou para a equipa da pesquisa fazer este trabalho?
D: Este encontro representou a reorganização da família que foi ao longo dos séculos separada e o reforço da humanidade.

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