Quilombos

As rotas do comércio transatlântico de escravos, com maior intensidade nos séculos XVII e XVIII, foram determinantes na política colonial do Brasil. Efectivamente, o país é apontado por historiadores, sociólogos e cientistas sociais como tendo absorvido 40% de toda a população escravizada que chegou viva às Américas (Martins, 2004) durante o período colonial.

A repressão e más condições a que estavam sujeitos no país levou a que cada vez mais escravos, revoltados com a sua condição, fugissem das senzalas para locais remotos onde dificilmente poderiam ser recapturados pelos seus antigos senhores. A fuga de escravos originava pequenas concentrações em locais de difícil acesso denominados por Quilombos ou mocambos.

Etimologicamente, a palavra “quilombo” deriva do tronco linguístico Banto, especificamente das línguas Kimbundo (kilombo) e umbundo (ochilombo) faladas na região de Angola (Souza,2008) e significa “acampamento guerreiro na floresta, sendo entendido ainda em Angola como divisão administrativa” (Souza,2008 apud Lopes, 2006, p.27-28). A influência no Brasil, de termos originários de Angola, é justificada pelo facto da costa de Angola ter sido um dos principais pontos de origem de rotas de escravos vindos de Loango, Luanda e Benguela.

Os Quilombos assumiram-se assim como uma das principais formas de resistência à escravatura. Para além de representar um franco protesto da população escravizada, representava um acto político, uma ameaça directa ao sistema esclavagista em vigor.

No período do Brasil colonial, o conceito vigente era o de 1740, que designava o Quilomboou mocambo como: “toda a habitação de negros fugidos que passem de cinco, em partes despovoadas, ainda que não tenham ranchos levantados, nem se achem pilões neles”.

Contudo, historiadores e sociólogos contrariam o total isolamento dos Quilombos afirmando que muitas comunidades Quilombolas mantiveram o contacto com escravos nas senzalas e formaram alianças com comerciantes, indígenas, pequenos agricultores e até mesmo fazendeiros. Criavam-se assim verdadeiras redes de solidariedade e de intercâmbio comercial clandestino nas quais se trocava ouro, armas e produtos quilombolas (provenientes de uma agricultura rudimentar e actividades extractivistas) em troca de informações sobre a movimentação das expedições repressoras, assegurando-lhes assim protecção.

Comments are closed.