Herança Cultural

A preservação da cultura Quilombola é parte integrante das actividades diárias das comunidades. Contudo, é evidente a incessante procura de reconstrução da sua cultura ao longo da história, sendo esta uma garantia de fortalecimento comunitário e promoção da sua integração no seio da sociedade brasileira. Tendo as exigências do tempo e do espaço condicionado que as suas raízes africanas se fundissem com as matrizes portuguesas indígenas, os Quilombolas convivem desde sempre num contexto pluri-racial e, consequentemente, pluri-cultural.

As Comunidades Quilombolas utilizam conhecimentos ancestrais, oralmente transmitidos de geração em geração que se espelham nas práticas tradicionais da agricultura, pesca, gastronomia, saúde ou mesmo artesanato. A relação com a Natureza pauta-se por uma relação de respeito e admiração pelo que a terra lhes oferece, sendo a terra, os animais e os recursos hídricos encarados como bens colectivos que todos têm o dever de preservar. De igual forma, a organização social do Quilombo espelha o respeito pela vida em comunidade.

As manifestações culturais Quilombolas e as suas expressões de religiosidade fazem parte de um legado cultural com forte vínculo ao passado que confere às comunidades um forte sentido de pertença e identificação com as suas raízes africanas. À semelhança de muitas sociedades africanas, também as mulheres Quilombolas desempenharam e desempenham um papel de extrema importância nas lutas de resistência e sobrevivência das comunidades – seja na época da escravatura ou nos nossos dias, na luta pela regularização do seu território. Estejam no Quilombo ou na cidade, as mulheres Quilombolas são as guardiãs das comunidades e as ‘guerreiras’ do quotidiano. Cuidam da casa, dos filhos, dos idosos, da roça, dos animais e asseguram a preservação dos recursos naturais.

A distância que separa a maioria das comunidades Quilombolas das cidades dificulta o acesso a serviços de base como a saúde ou a educação. O isolamento a que estão sujeitos obriga muitos membros a optar por sair das Comunidades em busca de melhores condições de vida. Esta realidade é sobretudo visível nas camadas mais jovens da população.

O respeito pela cultura ancestral Quilombola reflecte-se igualmente no respeito pelos homens e mulheres mais velhos das comunidades. Estes são vistos como referência para os restantes membros e é a eles que os mais jovens recorrem para saber mais da sua cultura e recolher um testemunho vivo dos tempos passados. Os mais velhos contam histórias sobre a origem do nome do lugar, sobre como é que os Quilombolas passaram a viver naquela região e partilham os seus conhecimentos sobre os modos de ser e fazer, deixando o seu testemunho para quem queira com ele aprender. A oralidade assume uma importância incomparável na preservação do legado cultural Quilombola.

Manifestações Culturais

As manifestações culturais Quilombolas evidenciam-se nos seus costumes, comportamentos e hábitos – herdados de geração em geração. A sua cultura secular distingue-os da sociedade brasileira, sendo por isso um importante instrumento na afirmação da sua Identidade.

Todavia, o relativo isolamento a que História dotou as várias comunidades, favoreceu a proliferação de manifestações culturais distintas de comunidade para comunidade. A Cultura Quilombola não é por isso uma só cultura mas sim uma junção de tradições seculares com origens e adaptações distintas. Da música, à dança; da agricultura ao artesanato; das crenças aos rituais, a cultura Quilombola espelha riqueza, espelha um pouco da história de todos nós.

A Força dos Tambores Quilombolas

Comments are closed.