A mulher Quilombola

As mulheres quilombolas tiveram e têm um papel de extrema importância nas lutas de resistência, quer na época da escravatura, quer nos nossos dias na luta pela regularização de seu território. Estejam no Quilombo ou na cidade, as mulheres Quilombolas são as guardiãs das comunidades e as ‘guerreiras’ do quotidiano. Cuidam da casa, dos filhos, dos idosos, da roça, dos animais e da preservação dos recursos naturais. 

Nos tempos da escravatura, providenciavam alimento e proteção aos refugiados das lutas de resistência pela liberdade e estavam diretamente envolvidas na organização do Quilombo. Foram e continuam a ser um elemento fundamental na luta de todos os Quilombolas pelos seus direitos. As mulheres Quilombolas orientam as suas crianças, trabalham, dançam, rezam, curam, dão vida. Conhecem bem as ervas medicinais, a história do seu povo e os segredos dos invisíveis. 

Quebradeira de coco Babaçu

Quebradeira de coco Babaçu

Destacam-se na cultura Quilombola as Quebradeiras de Côco. Mulheres que lutam pelo livre acesso aos babaçuais (plantações de coco babaçu) responsáveis pelo sustento e economia da família. A maior parte dos fazendeiros faz das suas terras campos de pastagem para o gado, desaproveitando as potencialidades do babaçu. Assim, o babaçu, que crescia espontaneamente nos campos, vai sendo substituído pelo capim. Nalgumas regiões do Maranhão, as quebradeiras de coco, Quilombolas, ou não, não são donas da terra, mas têm acesso livre para entrar nos terrenos particulares para apanhar e quebrar o babaçu.
 
Com muita garra e organização e sob o protagonismo das mulheres, a luta de um grupo de quebradeiras de côco para ter direito à exploração da terra onde se encontram os babaçuais, no final dos anos 80 e durante os anos 90, trouxe ganhos financeiros e de cidadania para milhares de quebradeiras. O sucesso verificado na região do Médio Mearim maranhense ganhou ainda mais vigor a partir de 2001, com o surgimento do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) formado por mulheres de comunidades do Maranhão, Tocantins, Pará e Piauí. 

Hoje, 300 mil quebradeiras estão organizadas em cooperativas, sindicatos e federações. O próximo passo do movimento é aprovar no Congresso Nacional o projecto de lei Babaçu Livre, apresentado pela deputada Terezinha Fernandes (PT), que garantiria a exploração livre dos babaçuais em todo o território nacional.

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