Agricultura

A economia Quilombola é maioritariamente orientada para uma produção agrícola de subsistência. Os Quilombolas plantam e colhem arroz, mandioca, feijão, milho para consumo próprio na modalidade de plantio chamada de “roça-de-toco” ou “roça-no-toco” num regime de agricultura familiar. A roça-no-toco consiste num sistema de derrube de plantas; queima do solo (como parte do processo de preparação das áreas para o plantio); cultivo das espécies e, finalmente, pousio, durante o período de tempo necessário ao descanso da terra.

Nesta prática agrícola, os Quilombolas utilizam cada área agrícola por dois ou três anos seguidos (sendo que, em geral desmatam de um a dois hectares) e, em seguida, deixam esses terrenos em pousio num período que pode durar até 10 anos.
Contudo, esta prática não tem surtido o efeito desejado uma vez que se trata de um processo agrícola que apenas apresenta uma sustentabilidade económica viável quando praticada em situações de longos períodos de pousio para a recomposição florestal. A realidade das comunidades Quilombolas não se compadece com essa necessidade pois não têm como expandir as suas áreas de cultivo devido aos conflitos de terra e perseguição de fazendeiros e grandes empresários. Os Quilombolas vêem-se por isso obrigados a restringir a sua área de cultivo impedindo assim que o solo recupere a sua fertilidade.

Horta Comunitária administrada por mulheres no Quilombo de Catucá. (Foto de Ribamar Nascimento).

Horta Comunitária administrada por mulheres no Quilombo de Catucá. (Foto de Ribamar Nascimento).

Não obstante, a agricultura tradicional Quilombola pode agregar uma agricultura de base ecológica, calcada nos princípios da Agroecologia, como já vem acontecendo nalgumas comunidades. Em sistemas de roças-no-toco, onde é cultivada a mandioca, é possível o plantio de mudas de fruteiras perenes e leguminosas com vista a viabilizar a implantação de um sistema agroflorestal, que procura estabelecer um equilíbrio entre os componentes social, económico e ambiental, para que nenhuma componente se possa sobrepor aos demais e permitindo assim que se implante uma agricultura sustentável.

As comunidades Quilombolas também produzem hortaliças (alface, tomate, coentro, vinagreira, pepino). A produção agrícola é baseada no trabalho familiar e colectivo que alimenta os vários núcleos familiares. O comércio dos seus excedentes é destinado à aquisição de outros bens que não existam na comunidade. Quando a produção da roça é maior, chegam a vender para as sedes dos municípios onde os alimentos são aproveitados para a merenda escolar das escolas da redondeza.

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