O Jovem Quilombola

A distância que separa a maioria das comunidades Quilombolas das cidades dificulta o acesso a serviços de base como a saúde ou a educação. O isolamento a que estão sujeitos obriga muitos membros a optar por sair das Comunidades em busca de melhores condições de vida. Esta realidade é sobretudo visível nas camadas mais jovens da população.

Esta dicotomia é para muitos um dilema diário que os obriga a optar entre a procura de novas oportunidades na cidade ou o envolvimento activo na luta pelo território Quilombola e pelo respeito dos Direitos Quilombolas, aceitando e respeitando as tradições culturais ancestrais.

A cidade tem uma aura de sedução: o movimento, as roupas, os carros, a circulação do dinheiro. No entanto, os jovens quilombolas, muitas vezes sem a escolaridade exigida para integrar o mercado de trabalho, não conseguem ter acesso a empregos estáveis. Pelo contrário, trabalham, muitas vezes, como mão-de-obra precária e/ou escrava na colheita da cana-de-açúcar nas grandes regiões metropolitanas, nomeadamente da cidade de São Paulo. Passam a viver em situação insalubre e, geralmente, quebram os laços com sua família que ficou no Quilombo.

Entre os jovens que optam por ficar na Comunidade, alguns participam activamente na defesa pelos Direitos Quilombolas. A maioria está integrada em associações Quilombolas e muitos envolvem-se em projectos de inclusão social ou economia solidária, que visam o desenvolvimento sustentável das comunidades.

Veja aqui alguns depoimentos recolhidos nos Quilombos dos Estados do Maranhão e Goiás, em 2005, sobre o dia-a-dia dos jovens quilombolas nas comunidades.

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